Editorial · Edição XXVII
A paciência é uma técnica. Não confundam com lentidão.
Quando comecei a escrever sobre sistemas, em 2007, a palavra que dominava as conversas técnicas no Brasil era “escalar”. Quase vinte anos depois, conversei com a engenheira Letícia Vasconcelos sobre a reportagem de capa desta edição e ela me disse uma frase que eu não sabia que estava esperando: “a parte difícil não é fazer crescer. É fazer durar.”
Existe uma cultura — silenciosa, espalhada por equipes de plantão, oficinas de bairro, salas de operação refrigeradas em prédios sem placa — que aprendeu a tratar a manutenção como ofício. Nesse ofício, paciência não é o oposto da pressa. É um conjunto de práticas que tornam a pressa possível quando ela é necessária. Quem mantém um sistema que processa três milhões de transações por minuto sabe que cada segundo de calma planejado vale por horas de improviso evitado.
Esta edição é uma carta de amor a essa cultura. Convidamos cinco redatoras e três fotógrafos para passar quatro meses com as pessoas que cuidam da infraestrutura digital brasileira. Voltamos com mais perguntas do que começamos, e essa parece ser sempre a indicação de que valeu a pena ir.
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